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Blazer: Coringa no Jogo da Elegância
Trabalhar com moda exige talento, experiência e muita disposição para acompanhar as tendências e diversificar as coleções de acordo com as estações. Então, como chegar a um denominador comum de roupa que denote equilíbrio nas mais diversas ocasiões? A idéia do estilista e designer de moda D’Carlos vai ainda mais além desses requisitos fundamentais.

D’Carlos considera o Blazer como o curinga do guarda roupa masculino. Para ele o blazer reúne os imperativos da vida profissional, social e o lazer do homem atual. A ordem é: todas as atenções voltadas para o blazer! Na verdade, essa peça acabou facilitando a vida de homens que consideram elegância uma palavra natural quando se tem o privilégio de ser vestido por um estilista de alta-costura masculina. E D’Carlos faz parte do time que trabalha com fervor a arquitetura da silhueta masculina.

Para o estilista, a escolha dos materiais, o equilíbrio das formas e cores são fundamentais para compor a estética em conjunto com o estilo e personalidade do cliente.

Versátil, o blazer tornou-se majestade. O privilégio dos homens acabou já que as mulheres costumam usá-lo como complemento de seus looks.

Não há dúvida, o blazer é o verdadeiro coringa no jogo de vestir-se bem, e recebe o aval e o aplauso de um público classe A.

“ B I P L O M A DO “por Aguinaldo Bechelli

O pensador de humorista Barão de Itararé bem situou: “Diploma não encurta a orelha de ninguém. Noel Rosa compôs: “Samba é um privilégio / Ninguém aprende samba no colégio”. E o ator John Randolph bateu forte: “O tolo formado é mais tolo que o ignorante”. De fato: tem gente com dois, três diplomas, fala vários idiomas, mas nada diz. De um modo geral, médicos, advogados, engenheiros, não sabem escrever. Não é o caso de quem tem talento. Aí o diploma completa. Dá verniz ao talentoso que sabe usar a boneca. Você sabe: “boneca” é aquele pequeno chumaço de algodão envolvido em pano para puxar brilho.

Por exemplo, o estilista, designer de moda D’CARLOS – João Vieira de Andrade aprendeu o ofício de alfaiate ainda menino, com 11 anos, lá na sua cidade natal – Jeremoabo, Bahia. É do tempo do ferro a carvão, soprado atrás para eliminar as cinzas e atiçar o fogo. E em feliz decisão, já em São Paulo, diplomou-se em 1957 na Escola de Corte Estilo Moderno, do diretor, professor Paulo Emílio Puglielli. Um dia o mestre lhe disse: “Você está começando por onde eu terminei”.

É claro que o curso muito acrescentou ao dom do D’CARLOS, deixando a dúvida: o diploma o valorizou ou foi ele que valorizou o diploma ? Comprovo: de certa feita, enverguei um blaizer de sua arte, mas não encontrei lenço que combinasse. Recorri a ele e como também não tinha, escolheu uma gravata de seda, ideal, dobrou e a colocou no meu bolso. Diz: essa escola se aprende no colégio ?

Precisamos criar a palavra “biplomado” para o “malandro” que com criatividade vai alem de qualquer diploma. Não malandro de morro ou de favela ou de praia carioca. Nem malandro de capoeira. É malandro capaz de captar, ver, sobrever, alcançar, entender, capiscar, notar, penetrar, sentir, pressentir, com engenho para praticar essa arte no momento preciso, seja costurando, fazendo um feijão, na entrega à mulher amada, conquistando amigos, governando o país, jogando sinuca ou golfe.

Se você é dotado dessa bossa para ser um designer de moda, será sortudo se merecer bater um papo com D’CARLOS e esteja preparado para topar com uma franqueza abalizada, contundente. Mas se quer apenas vestir-se bem, vá com ele e não precisa encher o peito na hora da prova. D’CARLOS se encarregará de colocar duas respirações no pano: a sua e a dele.

Tesoura - Tesoura


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