Artesãos de linha e agulha
Trecho retirado da matéria publicada por Renata Fiori para o site Guia da Semana
Disposto a esperar, pelo menos, 30 dias para a confecção do terno, o escritor e conferencista Cesar Romão afirma que o homem consegue se expressar através da roupa que veste. “Todo terno precisa ser uma extensão do corpo e imagem. É importante ser identificado por roupas personalizadas com tradição e requinte. Aliás, este tipo de produto é como vinho, precisa de tempo para se produzido e ficar ainda melhor”.
Os detalhes impressionam até os menos entendidos do assunto: tecido de primeira linha, de preferência inglês, ombros estruturados com algodão natural, corte e ajuste no corpo e não no manequim e nada de casas e botões falseados na manga. Se o caimento e o estilo chamam a atenção dos clientes vaidosos de um ateliê, o preço nem tanto. A confecção mais barata fica em torno de R$ 2.800,00.
Há 50 anos na profissão, João Vieira de Andrade se veste de D´ Carlos e entra em seu ateliê, no Brooklin. Cheio de opinião e colecionador dos moldes das roupas que já fez para Chacrinha, Cauby Peixoto, José Victor Oliva, Chico Buarque, Roberto Carlos, família Civita e Clodovil, o mestre, como seus clientes o chamam, diz que o terno é a segunda pele de um homem e que elegância é jeito de ser. “Não adianta se vestir com uma roupa feita sob medida, mas falar, sentar e se comportar como um abrutalhado. Você pode ser elegante fazendo a barba no banheiro”.
Aliado da postura, principalmente nos palcos, a roupa sob medida sempre fez parte das apresentações de Cauby Peixoto. Dono de um estilo peculiar e, como ele próprio diz: “só mudo se for para melhor”, o cantor possui mais de mil ternos confeccionados por D´Carlos. “Eu sempre fiz minhas roupas em alfaiates, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. Quando coloco um costume bem feito recebo elogios da platéia. As pessoas são muito exigentes. Não parecem, mas são! Procuro estar elegante para qualquer tipo de público e a roupa sob medida me proporciona isso”.
Com mais de mil clientes, D´Carlos comenta que os homens gostam do modismo, como paletós mais justos, mas preferem o clássico para não errar, afinal, “a última moda é o que a pessoa fica bem para usar”. As grandes ombreiras que as mulheres tanto detestam? O alfaiate comenta que elas diminuíram, mas continuam estruturando os ombros dos elegantes trajes. “Sem essa sustentação a roupa não tem caimento. O terno fica murcho”. Entre outros tantos detalhes, segundo ele, a roupa sob media é invencível porque o homem não corre o risco de errar. “O cliente escolhe e nós o ajudamos. Aqui pode tudo desde que se tenha bom gosto”, opina.
D’Carlos
Tel.(11) 5041-3236